sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados para enfrentar o clima seco de Brasília e proteger a saúde

O clima seco de Brasília exige cuidados com a hidratação, a pele, os olhos e o sistema respiratório. Veja como adaptar a rotina durante os períodos de baixa umidade do ar.

Os cuidados com o clima seco de Brasília devem fazer parte da rotina durante os períodos de baixa umidade do ar. A combinação de calor, estiagem, vento e concentração de poeira pode provocar ressecamento das mucosas, irritação nos olhos, sangramento nasal, desidratação e agravamento de doenças respiratórias.

Entre as principais medidas estão beber água ao longo do dia, evitar atividades físicas nos horários mais quentes, proteger a pele e manter os ambientes limpos e ventilados. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, rinite, bronquite ou outras doenças crônicas precisam de atenção redobrada.

Por que o clima seco afeta o organismo

A baixa umidade reduz a quantidade de água disponível no ar. Com isso, o corpo perde líquido com mais facilidade pela respiração e pela transpiração, mesmo quando a pessoa não percebe que está suando. O ressecamento também compromete a proteção natural do nariz, da garganta e dos olhos.

Em Brasília, o tempo seco costuma ser acompanhado por poeira, fumaça e outras partículas em suspensão. Esse material pode irritar as vias respiratórias e contribuir para crises de rinite, asma e outras condições alérgicas. Segundo o Hospital Universitário de Brasília, a combinação de baixa umidade e poluentes aumenta o ressecamento das vias aéreas e pode favorecer sintomas respiratórios. (gov.br)

Os efeitos podem incluir garganta seca, tosse, nariz entupido, ardência, formação de crostas nas narinas, dor de cabeça, cansaço e sensação de areia nos olhos. A intensidade varia de acordo com a umidade, a temperatura, a exposição ao sol, a qualidade do ar e as condições de saúde de cada pessoa.

Beba água ao longo do dia

A hidratação é uma das principais formas de reduzir os efeitos do clima seco. A recomendação prática é manter uma garrafa por perto e beber líquidos em intervalos regulares, sem esperar o aparecimento da sede. Água deve ser a principal escolha, mas sucos naturais e água de coco também podem contribuir para a ingestão de líquidos.

O consumo precisa ser distribuído durante o dia, especialmente antes, durante e depois de atividades físicas. Crianças e idosos podem não perceber ou comunicar adequadamente a sensação de sede. Por isso, familiares e cuidadores devem oferecer líquidos com frequência e observar sinais como boca seca, fraqueza, tontura, sonolência e redução importante da urina.

Pessoas com restrição de líquidos por causa de doenças cardíacas, renais ou outras condições devem seguir a orientação do profissional de saúde que acompanha o caso. Aumentar a ingestão de água sem avaliação pode não ser adequado para todos os pacientes.

Evite exercícios nos horários mais secos e quentes

O período entre o fim da manhã e o meio da tarde costuma reunir temperaturas mais elevadas e umidade mais baixa. Por isso, a orientação é evitar exercícios físicos ao ar livre nesse intervalo, principalmente em dias de alerta meteorológico ou quando a umidade estiver muito reduzida.

Quando possível, atividades como caminhada, corrida e ciclismo devem ser realizadas no início da manhã ou no começo da noite, em locais seguros e com menor exposição ao sol. Mesmo nesses horários, é importante reduzir a intensidade do exercício caso surjam falta de ar, tontura, dor de cabeça, fraqueza ou náusea.

Quem pratica atividade física deve reforçar a hidratação e evitar permanecer por longos períodos sob sol direto. Roupas leves, boné ou chapéu e protetor solar ajudam a diminuir a exposição ao calor e à radiação ultravioleta. O Ministério da Saúde orienta evitar exercícios ao ar livre entre 10h e 16h durante períodos de seca. (bvsms.saude.gov.br)

Proteja nariz, garganta e olhos

O soro fisiológico pode ajudar a aliviar o desconforto causado pelo ressecamento das narinas. A utilização deve seguir as instruções do rótulo ou a orientação de um profissional de saúde. Produtos destinados aos olhos também devem ser usados com orientação adequada, especialmente por pessoas que utilizam lentes de contato ou têm doenças oftalmológicas.

Para evitar irritações, não é recomendado introduzir objetos, cotonetes ou outros materiais no interior do nariz. Em caso de sangramento nasal, a pessoa deve permanecer sentada, inclinar levemente a cabeça para a frente e pressionar a parte macia do nariz por alguns minutos. Se o sangramento for intenso, recorrente ou não cessar, é necessário procurar atendimento médico.

Também é importante evitar fumaça de cigarro, queimadas, poeira e produtos com cheiro forte. Em dias de ar muito seco ou poluído, manter portas e janelas fechadas nos horários de maior concentração de partículas pode ajudar. A ventilação deve ser retomada quando as condições externas estiverem melhores.

Cuide da pele e dos lábios

A pele perde água com mais facilidade durante os períodos secos. Banhos muito quentes e demorados, uso excessivo de sabonete e fricção com buchas podem aumentar o ressecamento e a irritação. A recomendação é utilizar água morna, produtos suaves e hidratante após o banho, especialmente nas áreas mais ressecadas.

Os lábios também podem rachar e apresentar feridas. Protetores labiais ajudam a reduzir o desconforto, mas não devem ser compartilhados. Cremes hidratantes devem ser escolhidos de acordo com o tipo de pele e com eventuais orientações médicas, sobretudo em casos de dermatite, alergia ou lesões.

A proteção solar continua necessária mesmo em dias de temperaturas amenas. Boné, chapéu, roupas leves e protetor solar reduzem os danos provocados pela exposição direta ao sol. A aplicação deve seguir as instruções do fabricante e ser reforçada quando houver suor excessivo ou exposição prolongada.

Como umidificar os ambientes com segurança

Bacias com água, toalhas úmidas e umidificadores podem aumentar temporariamente a umidade em ambientes internos. No entanto, o uso desses recursos exige cuidado. Umidificadores devem ser higienizados regularmente, porque a água parada e os aparelhos sujos podem favorecer a proliferação de fungos e bactérias.

O ambiente não deve permanecer excessivamente úmido, principalmente em quartos com pouca ventilação. O excesso de umidade pode favorecer mofo e ácaros, que também desencadeiam alergias. Por isso, o equipamento precisa ser usado por períodos controlados e de acordo com as orientações do fabricante.

Limpar o pó com pano úmido, lavar roupas de cama e evitar o acúmulo de objetos também ajuda a reduzir partículas irritantes. Vassouras e espanadores podem espalhar poeira pelo ambiente, especialmente quando usados em locais fechados.

Atenção especial a crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas

Bebês, crianças pequenas e idosos são mais vulneráveis à desidratação e às alterações de temperatura. Em crianças, a perda de água pode ser mais rápida proporcionalmente ao peso corporal. Nos idosos, a sensação de sede pode ser reduzida, o que aumenta o risco de consumo insuficiente de líquidos.

Pessoas com asma, rinite, bronquite, doença pulmonar, problemas cardíacos ou renais devem observar mudanças nos sintomas. A baixa umidade e a presença de poluentes podem agravar tosse, chiado, falta de ar e irritação das vias respiratórias.

Medicamentos de uso contínuo não devem ser interrompidos ou modificados por conta própria. Em caso de piora dos sintomas, o paciente deve buscar orientação na unidade de saúde que acompanha seu tratamento.

Quando procurar atendimento

Alguns sinais indicam que o desconforto provocado pelo clima seco pode exigir avaliação médica. Entre eles estão dificuldade para respirar, chiado intenso, dor ou pressão no peito, desmaio, confusão mental, fraqueza acentuada, febre persistente e tontura que não melhora.

Também é importante procurar atendimento em casos de desidratação, como sonolência incomum, boca muito seca, vômitos persistentes e redução significativa da quantidade de urina. Sangramentos nasais frequentes ou difíceis de controlar também precisam ser avaliados.

Em Brasília, sintomas leves podem ser avaliados em uma Unidade Básica de Saúde. Situações urgentes podem ser encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento. Em emergências, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo número 192, conforme orientação divulgada pelo Governo do Distrito Federal. (agenciabrasilia.df.gov.br)

Rotina simples ajuda a atravessar a seca

O clima seco não pode ser evitado, mas os impactos sobre a saúde podem ser reduzidos com medidas simples. Manter a hidratação, planejar exercícios fora dos horários críticos, cuidar da pele e das mucosas e acompanhar os boletins de umidade são atitudes que ajudam a prevenir problemas.

A população também deve evitar queimadas, não fumar em ambientes fechados e reduzir a exposição à poeira e à fumaça. Quando a umidade estiver muito baixa, a atenção aos sinais do corpo deve ser maior, especialmente entre pessoas que fazem parte dos grupos mais vulneráveis.

O Ministério da Saúde destaca que a seca pode aumentar o estresse térmico e afetar os sistemas respiratório, cardiovascular e renal. Por isso, o cuidado deve combinar hidratação, proteção contra o calor, atenção à qualidade do ar e busca de atendimento quando houver agravamento dos sintomas. (miniapps.saude.gov.br)